Caniço
A ampla freguesia do Caniço, com a área de 12 Km2, foi uma das primeiras localidades a ser povoada, ficando parte deste território, na antiga Capitania de Machico, e a outra parte, na antiga Capitania do Funchal, pois o marco divisório ficava na Ponta da Oliveira, onde abundavam Oliveiras-Bravas ou Zambujeiros (Olea maderensis), espécie endémica da Madeira, de onde tomou o seu nome. O nome da povoação deve-se à planta caniço, ou carriço (Phragmites communis) que caraterizava este território nos tempos da descoberta da ilha.
Um dos primeiros povoadores e sesmeiro desta freguesia foi o morgado Álvaro de Ornelas Saavedra, “o grande” que se estabeleceu na área do Sítio da Quinta, onde possuía uma vasta propriedade que ia do mar à serra e do Porto Novo ao Garajau. O topónimo Quinta deriva exatamente do núcleo central dessa propriedade onde possuía solar. Foi um dos principais responsáveis pelo arroteamento de terras e sua exploração para cultivo.
Nestes primeiros tempos de colonização aqui vai-se desenvolver primeiramente o cultivo de cereais, por ser uma zona fértil e soalheira, não sendo de estranhar que foi precisamente no Caniço onde se construiu o primeiro moinho da Madeira, sintomaticamente no sítio que ficou conhecido como Azenha.
Os terrenos na margem direita da ribeira denominavam-se do Caniço para o Funchal, área pertencente à antiga Capitania do Funchal, enquanto os que ficavam na margem esquerda chamavam-se do Caniço para Machico e pertenciam à antiga Capitania de Machico, denominação que ficou até bem recentemente.
Em 1515, com a fundação do novo município de Santa Cruz, pelo foral do Rei D. Manuel I, toda a área do Caniço passa a ser parte integrante da jurisdição do novo território municipal.
Neste tempo recuado a atual freguesia da Camacha fazia parte do Caniço e era denominada de Serras do Caniço.
A Paróquia do Caniço foi fundada em 1438 ou 1440, sendo uma das mais antigas da ilha, tendo, curiosamente, por sede duas capelas distintas (o que se compreende por os territórios pertencerem a capitanias diferentes). Uma na margem direita da profunda ribeira do Caniço, que tinha como orago o Espírito Santo, e outra na margem esquerda, a de Santo Antão. Com a paulatina ruína das duas capelas, depois de várias contendas à cerca da localização de um novo templo, foi decidido construir uma nova Igreja, agora única, que foi inaugurada em 1783, a atual igreja paroquial do Caniço.
O Caniço, situado a 12 Km do Funchal, terra outrora de grande produção agrícola de cebolas, hoje destaca-se pela proeminente indústria do turismo e pela grande construção de habitação da região, constituindo uma freguesia de grande crescimento populacional. Conhecido ainda pelas suas temperaturas agradáveis, é banhado pelo mar em toda a sua costa, e por isso muito procurado por locais e estrangeiros.
A grande vocação turística da freguesia começou nos anos 70 do séc. XX quando os alemães construíram, na zona da Contrata, uma grande urbanização de turismo residencial para os seus conterrâneos. Hoje o Caniço constitui o segundo núcleo turístico da Madeira.
No ano 2000 a freguesia do Caniço foi elevada a Vila e cinco anos depois foi elevada a Cidade, em virtude de constituir um dos maiores polos de concentração de indústria e comércio regionais e uma das zonas habitacionais mais procuradas.

