A Camacha, outrora denominada de Serras do Caniço e pertencente à paróquia do mesmo nome, só adquiriu o nome atual, segundo reza a História, por influência de um dos primeiros povoadores, que tinha como sobrenome Camacho, de onde deriva a designação desta pitoresca localidade.
Mas o seu primeiro núcleo povoador parece ter sido o sítio dos Salgados, em volta da desaparecida ermida de S. Lourenço, construída por Francisco Gonçalves Salgado, num terreno declivoso, onde hoje se pode observar um núcleo de antigas e singulares habitações populares, construídas em aparelho de pedra basáltica, cinzenta e vermelha, cobertas de telha com curiosos remates de telhado. Estas casas, delicadamente encaixadas entre os poios cultivados, podem ser observadas ao longo de uma vereda de acesso calcetada no tradicional empedrado.
Foi o alvará régio de D. Pedro II, de 28 de dezembro de 1676, que autorizou o bispo diocesano D. Frei António Teles da Silva a criar esta paróquia separando-a da do Caniço.
É de destacar nesta freguesia serrana as Quintas de veraneio, pois em finais do séc. XIX e princípios do seguinte, a comunidade inglesa residente na ilha e os madeirenses mais abastados do Funchal, construíram quintas, com amplos e agradáveis jardins, para passar a época estival.
Foi também nesta freguesia que surgiu a indústria do vime, em meados do séc. XIX, ao que parece por estímulo dos ingleses, tornando-se o principal centro produtor e difusor, exportando-se para Portugal continental, Inglaterra, Estados Unidos da América e outros países. Hoje, apesar de residual, ainda se pode encontrar estes delicados e aturados objetos de manufatura, nomeadamente na icónica fábrica do Café Relógio, situada no centro da localidade.
No Largo da Achada (topónimo que significa pequeno terreno plano no cimo de uma montanha), que constitui o centro nefrálgico da freguesia, podemos encontrar uma escultura, datada de 1969, de Amândio de Sousa, em homenagem, ao primeiro jogo de futebol que se praticou em Portugal, neste largo, em 1875, por influência da colónia inglesa.
A Camacha é particularmente conhecida pelo seu folclore, contando com seis coletividades folclóricas, que para além de bailar e cantar, animam também as festas e dinamizam inúmeras atividades neste Concelho de Santa Cruz e por toda a Madeira. Entre os grupos folclóricos é de destacar o Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, um dos mais antigos da ilha. Este facto, de grande dinamismo cultural, levou à denominação da povoação como capital cultural da Madeira.
A localidade foi elevada ao estatuto de vila em 1994.
Praça Dr.º João Abel Freitas
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