Vimes
Tiago Perestrelo nasceu no Funchal em 1991. Em 2012 começou a estudar fotografia no Ar.co - Centro de Arte e Comunicação Visual, tendo terminado esse estudo em 2014. Em 2013, como aluno do 3º nível do curso de fotografia, fez a sua primeira exposição. Em 2014, participa na exposição colectiva "One Night Stand", em Lisboa. O trabalho que será apresentado na Casa da Cultura foi seleccionado para as Leituras de Portfólio do Laboratório de Fotografia do Carpe Diem Arte e Pesquisa, e também para o prémio Emergentes dst dos Encontros da Imagem.
VIMES
“Quando chego à Arema, tenho sempre de ir cumprimentar as pessoas que lá trabalham...”
Tiago Perestrelo
Quando digitei as coordenadas: N 32º 40´ 43.406" W 16º 51´ 3.783", por pura intuição sabia que as mesmas me iriam transportar ao “lugar”, a viagem inicia-se de barco em terra, imagens vagas como resultado de um deambular na arquitectura rosada e familiar, onde podemos observar que a ruína está associado ao olhar nostálgico de Tiago Perestrelo. Esta serie de fotografias relatam o que outrora foi um centro de produção que utilizava o vime como matéria prima, uma manufactura tradicional na ilha, que concretamente na Camacha (recordem-se as coordenadas) conheceu dias mais luminosos, o agora é um percurso inverso e fantasmático repleto de objetos dissecados pela memória, mas também pela matéria, do vime, dos homens, da contabilidade, dos ficheiros inacessíveis, do tal barco, da sauna construída por mero hedonismo, das vivências laborais que cruzam a familiaridade das mãos construtoras que operam num tempo em ralenti (CESTOS/CAIXAS/LUZ/SOMBRA/JAPÃO/CADEIRÕES/ZOOLÓGICO/FERRAMENTAS...DEDICATÓRIA) graças à actual produção do império global sem regras, guilhotina deslocalizada desta e de outras “industrias manuais” que agonizam por uma solução.
Em conversa amena com o autor, o mesmo relata: “Quando fotografei isto, parecia um espaço que conhecia”, o Relógio do Café marca o tempo e o espaço de um verão longínquo, talvez seja este desconhecimento vindo da imparcialidade da câmara fotográfica, um interface racional, vidro frio que tenta humanizar as relações, a isso denominamos de fotografia (não apenas uma escrita pela luz), a relação anímica entre câmara, olho e objecto que expande neste caso um sentimento de distância, desinibido pelo puro prazer visual, ainda que o precário e o estado de abandono desperte o sentimento romântico das fissuras e do que já não está.
12 de Novembro de 2014
Duarte Encarnação
Prof. Auxiliar
Arte & Multimédia
CCAH/UMa
Tiago Perestrelo
14 NOV - 14 JAN 2014/2015

