A impermanência não é uma falha da natureza. É a sua lei mais precisa, o seu princípio mais honesto e, talvez, aquilo que a civilização humana tem levado mais tempo a aceitar.
Num mundo que construiu cidades para durar milénios, que erige monumentos contra o esquecimento e que acumula para além da necessidade, a natureza responde com uma silenciosa clareza: tudo muda, tudo passa, nada permanece na forma que tinha.
A folha que cai não é o fim de uma árvore, é a forma como ela aprende a recomeçar.
O rio que transborda não falha o seu leito, refaz-o.
A rocha que se desfaz em areia não morre, transforma-se.
Porque aceitar que tudo passa, não é render-se à perda.
É aprender, finalmente, a estar presente.
Luísa Spínola
24 JUN - 12 SET 2026