“Escultor. Autor de diversa obra gráfica e fotográfica publicada, efetuou trabalhos nas mais diversas áreas da escultura, fotografia, explorando também os campos do desenho e do grafismo por computador.”
São estas as breves linhas de apresentação que, habitualmente, Maurício Fernandes reservava sobre a sua própria atividade artística, enquanto síntese possível do que se constrói em torno de múltiplas frentes e dedicações.
Nas décadas de 80 e 90, foi nota biográfica constante, crescendo nos catálogos das diversas exposições de apresentação do seu trabalho, frequentemente, em espaço coletivo e em labor de uma diversidade de domínio tecno - formal, sempre em permanente construção.
Por isso, é na via do ensaio de novos recursos, seguindo uma certa interação entre forma e resultado de pleno visual e gráfico, que se enquadra a obra de Maurício Fernandes. Opera a dimensão plástica
a partir de uma latitude gráfica de formas, ritmos, cores e superfícies. A gura humana ainda é o centro geostático do processo, em que a linha ganha um sentido académico original mas sem entregar qualquer enfase temática aos modelos de recurso. A razão funciona aqui, apenas, como fundamento de harmonia estética, essencial à construção gráfica e recuperando do sentido plástico a ambivalência entre formalidade e informalidade.
Quer partindo do desenho, quer igualmente recorrendo a processos preparatórios, como a manipulação xerográfica, técnica que lhe ficou das práticas criativas já em uso na década de 70. Maurício Fernandes desenvolveu linhas de um certo ecletismo criativo, estabelecendo em almejada coerência as guias reguladoras para o desempenho profissional enquanto professor, designer e artista.
Enquanto pioneiro no ensino do design, o escultor Maurício Fernandes é uma das referências para a análise do processo de desenvolvimento em meio académico e científico no domínio das Artes Plásticas e do Design. Celso Caires