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Nas aguarelas de Charles Frederick Raleigh Blandy predominam as paisagens acidentadas, seja nas zonas montanhosas com encostas verdejantes e picos escalvados, seja nas zonas costeiras de caprichoso recorte. Nas raras ocasiões em que a figura humana aparece está sempre mergulhada na natureza. Evocam com verosimilhança os picos do interior da ilha, como as Torrinhas e o Pico Ruivo, a queda de água do Rabaçal, o litoral rochoso da ponta de S. Lourenço, de Santana ou dos arredores de Santa Cruz. As composições privilegiam, através da escolha do enquadramento, a irregularidade e os contrastes, sendo estes tanto de formas, como de distâncias e de luz, por vezes abrandada pela fugacidade das neblinas.
Estamos perante o tipo de “beleza pitoresca” teorizada por William Gilpin nos seus escritos da segunda metade do século XVIII e tão glosada no paisagismo inglês desde o romantismo aos seus prolongamentos naturalistas do século seguinte. Parte da observação do real, mas seleciona deste as situações potenciadoras de efeitos pictóricos baseados na variedade, na irregularidade e no lado agreste que a paisagem madeirense oferece em profusão.
Isabel Santa Clara

Charles Frederick Raleigh Blandy

25 JUN 2015