“Em Lisboa, enquanto estudante de escultura na Escola Superior de Belas Artes, frequentava também, semanalmente, o ateliê do professor escultor Lagoa Henriques, em Belém, onde colaborava em diferentes trabalhos ao nível da estatuária, e, simultaneamente, cumpria o serviço militar obrigatório, nos Serviços Mecanográficos do Exército, na Graça.
No percurso, quase diário, entre o Saldanha, onde residia, a Graça, a zona do Chiado, e Belém, passando obrigatoriamente pelo Rossio, foram inúmeros os apontamentos gráficos desenhados, bem como as centenas de fotografias a preto e branco, captadas quase sempre ao acaso, sem um objectivo determinado, que não fosse o de registar esses momentos ímpares de ação política e
social, particularmente nos últimos dias de abril, 1º de maio de 74, e de 75, vividos na primeira pessoa, por vezes de forma deslumbrada.”
António Rodrigues
2016